Um site para médico é o lugar onde o paciente confere quem você é, se você atende a especialidade que ele procura, onde fica o consultório e como marcar a consulta. E, diferente do site de qualquer outra empresa, ele tem regra própria: a publicidade médica segue uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM).
Escrevo este guia para o médico e para a clínica que vão contratar ou refazer o site. Em mais de 20 anos, nós da Vale da Web já passamos de 1.500 sites entregues, vários deles na área da saúde, e os erros que eu vejo se repetem: falta de CRM e RQE na página, texto que promete resultado e site que não aparece para quem procura a especialidade na cidade.
Aqui você vai ver quais páginas um site para médico precisa ter, o que a regra do CFM permite e proíbe, como ligar agendamento, WhatsApp e Perfil da Empresa no Google, a estrutura de dois sites médicos que fizemos e quanto custa.
Por que o médico precisa de um site próprio (e não só do Doctoralia)
Perfil em plataforma de agendamento e em rede social ajuda, e eu não recomendo abandonar nenhum deles. O problema é depender só deles. O perfil numa plataforma pertence à plataforma: o layout, as regras e o que aparece ao redor do seu nome são decididos por ela, e a busca interna mostra você numa lista com outros médicos da mesma especialidade.
O site próprio é o único canal em que você decide o que o paciente lê, em que ordem e em qual endereço. É também onde cabe o que a plataforma não comporta: uma página para cada exame ou procedimento, a sua formação completa, os convênios aceitos, o caminho para chegar ao consultório e os artigos que respondem às dúvidas que você ouve todos os dias.
Tem ainda a questão do endereço. Com o domínio registrado no seu CPF ou no CNPJ da clínica, o endereço continua seu mesmo que um dia você troque de agência. Se ainda tem dúvida sobre o que é domínio e por que ele deve ficar no seu nome, expliquei em outro artigo.
O que um site para médico precisa ter
Pense no site como a recepção do consultório: quem entra precisa achar rápido o que veio buscar. Estas são as páginas que eu considero obrigatórias:
- Página inicial: quem é o médico ou a clínica, a especialidade, a cidade e o caminho para agendar, já na primeira tela.
- Sobre o médico: formação, título de especialista, número do CRM e do RQE e onde atende.
- Uma página para cada especialidade, exame ou procedimento: o que é, para quem é indicado, como é feito e como se preparar.
- Convênios, valores e formas de pagamento, se você quiser divulgar (a resolução permite).
- Localização e horários: endereço completo, mapa, estacionamento e acessibilidade.
- Agendamento e contato: telefone, WhatsApp e formulário de pré-agendamento.
- Blog com conteúdo educativo para o paciente.
- Política de privacidade, porque o site recebe dados de quem entra em contato.
Na clínica com vários médicos, cada profissional ganha a própria página, com foto, especialidade, CRM e RQE. Das páginas da lista, a página de cada exame ou procedimento é a que mais trabalha pelo consultório: é ela que tem chance de aparecer no Google para quem procura aquele exame na sua cidade, e é ela que tira a dúvida do paciente antes da ligação.

Identificação obrigatória na página principal
A Resolução CFM nº 2.336/2023 exige que toda peça de publicidade médica traga o nome do médico, o número do CRM acompanhado da palavra “médico” e, se ele tiver especialidade registrada, a especialidade com o número do RQE (art. 4º). Em sites, blogs e redes sociais, esses dados ficam na página principal (art. 6º).
No site da clínica entram o nome do estabelecimento com o número de registro no CRM e o nome do diretor técnico-médico, com o CRM e, quando exigível, o RQE (art. 5º). Na prática, eu recomendo colocar esses dados no rodapé de todas as páginas, e não só na inicial: quem chega pelo Google muitas vezes entra direto numa página interna.
O que a publicidade médica permite no site
A regra vigente é a Resolução CFM nº 2.336/2023, aprovada em julho de 2023 e em vigor desde março de 2024, no lugar da antiga Resolução 1.974/2011. Ela vale expressamente para sites e blogs, que o texto trata como redes sociais próprias do médico (art. 8º, § 1º). Ao anunciar a atualização, o próprio CFM destacou o que passou a ser permitido.
A resolução não vem sozinha: o médico também é obrigado a seguir o Manual de Divulgação de Assuntos Médicos que acompanha a norma (art. 2º), e é para esse manual da Codame que os arts. 5º e 6º mandam os detalhes da identificação. É por ele que os CRMs avaliam cada caso.
Um aviso antes das listas: este guia não substitui orientação jurídica. Em caso de dúvida sobre um texto ou uma imagem, a Codame, a comissão de divulgação de assuntos médicos do seu CRM, responde a consultas sobre publicidade (art. 16).
O que o site pode mostrar
- Fotos e vídeos do consultório, da equipe e do próprio médico (art. 9º, I).
- Como marcar consulta, horários, funcionamento, estacionamento, localização e convênios aceitos (art. 9º, IV e V).
- Valor da consulta e formas de pagamento (art. 9º, VI).
- Equipamentos, com as indicações aprovadas pela Anvisa e autorizadas pelo CFM (art. 9º, II e IX).
- Conteúdo educativo sobre doenças e procedimentos, inclusive com imagem de paciente, desde que com autorização dele, sem identificá-lo e com texto que explique indicações, fatores que influenciam o resultado e complicações (art. 14).
- Antes e depois, apresentado num conjunto que mostre evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações, sem edição das imagens (art. 14, II).
- Depoimentos de pacientes, desde que sóbrios, sem adjetivos de superioridade nem promessa de resultado (art. 14, II, g).
O que o site não pode ter
- Garantia, promessa ou insinuação de bom resultado do tratamento (art. 11, XII).
- Anúncio de que trata órgãos ou doenças específicas, feito por quem não é especialista (art. 11, I).
- Tom sensacionalista ou autopromocional, atribuindo a si, à clínica ou à técnica qualidades privilegiadas, como “o melhor da cidade” (art. 11, XVI e § 3º).
- Título de “melhor médico”, “médico do ano” ou parecido, vindo de listas de premiação promocional (art. 11, XIII).
- Capacidade privilegiada atribuída a aparelhos, ou método não reconhecido pelo CFM (art. 11, II e VII).
- Imagem de procedimento que identifique o paciente, ou imagem editada e melhorada (art. 14, II, e e f).
- Ensino ao leigo de técnica que deve ficar no ambiente médico (art. 14, II, b).
Resumindo a mudança: a resolução de 2023 liberou preço e imagem de paciente com finalidade educativa (inclusive antes e depois), mas manteve a proibição de prometer resultado. É exatamente aí que o texto de muitos sites escorrega, com frases de efeito que funcionariam em qualquer outro segmento.
Nos dois modelos de site da Vale da Web, a redação dos textos está incluída. Mesmo assim, perante o CRM quem responde pelo conteúdo é o médico, ou o diretor técnico no caso da clínica (art. 3º). Por isso, todo texto do site precisa passar pela revisão do médico antes de ir ao ar, seja quem for que escreva.
Agendamento, WhatsApp e Perfil da Empresa no Google
Quem procura médico quer resolver rápido. O caminho para marcar a consulta precisa estar visível em todas as páginas, também no celular. Três formas funcionam bem, e dá para combinar:
- Botão de WhatsApp para a recepção, com uma mensagem inicial pronta.
- Formulário de pré-agendamento, com nome, telefone, convênio e melhor horário.
- Link para o sistema de agenda online que a clínica já usa, se ela tiver um.
Um cuidado com o formulário: pela LGPD, dado referente à saúde é dado pessoal sensível (Lei nº 13.709/2018, art. 5º, II). O formulário do site deve pedir só o necessário para o contato, sem campo de sintomas, exames ou diagnóstico, e a política de privacidade precisa dizer o que é feito com esses dados.

O outro pilar é o Perfil da Empresa no Google, o antigo Google Meu Negócio. É ele que aparece no mapa quando alguém busca, por exemplo, “ginecologista em Blumenau”. Site e perfil precisam contar a mesma história: mesmo nome, mesmo endereço, mesmo telefone e o perfil apontando para o site. Se o consultório ainda não aparece no mapa, veja como cadastrar empresa no Google Maps.
As avaliações do perfil são dos pacientes. Mas, se você repostar elogios no site, a resolução considera a publicação sua (art. 8º, § 3º), e vale a mesma regra de sobriedade dos depoimentos.
SEO para médico: aparecer para quem procura a especialidade
Antes da primeira consulta, o paciente raramente busca o seu nome. Ele busca o exame, o sintoma ou a especialidade, quase sempre com a cidade: “ultrassom morfológico em Blumenau”, “dermatologista em Joinville”. O site médico só disputa essas buscas quando tem uma página feita para cada uma delas, e não uma lista de serviços espremida numa página só.
O que eu confiro em todo site para médico ou clínica:
- Uma página por especialidade, exame ou procedimento, com o nome do serviço e a cidade no título e no texto.
- Endereço, telefone e horários iguais aos do Perfil da Empresa.
- Site rápido e site responsivo, porque o Google avalia as páginas pela versão de celular.
- Certificado de segurança (HTTPS) ativo, ainda mais com formulário; aqui eu explico a importância do SSL para um site.
- Blog com artigos que respondem às perguntas reais dos pacientes, assinados pelo médico.

SEO não é instantâneo nem tem garantia de posição, e eu desconfiaria de quem promete primeira página em prazo fixo. Se quiser entender como o processo funciona, expliquei o que é SEO em outro artigo.
Exemplos de sites médicos feitos pela Vale da Web
Dois projetos nossos ajudam a visualizar a estrutura que descrevi: páginas, menu, agendamento e blog. Eles entram aqui pela arquitetura do site, não como modelo de texto: o texto de cada médico precisa seguir a Resolução CFM nº 2.336/2023, e quem responde por ele é o próprio médico.
Virtus Ultrassonografia, em Blumenau
A Virtus Ultrassonografia é uma clínica de ultrassom voltada à gestação e à saúde da mulher. Na estrutura do site, cada exame tem a sua página, como o morfológico de primeiro e de segundo trimestre e o ultrassom 3D, 4D e 5D. O pré-agendamento fica no menu de todas as páginas, ao lado do WhatsApp da recepção, e o blog reúne artigos sobre exames e cuidados na gestação.
Clínica Hayashi, em Volta Redonda
A Clínica Hayashi, do cirurgião plástico Thiago Hayashi, tem um menu enxuto: Home, Quem Somos, Procedimentos, Blog e Contato. Cada cirurgia tem a sua página, com o nome do procedimento e a cidade no título e perguntas frequentes no fim. A página inicial leva ao agendamento de consulta e lista as outras cidades onde o médico atende, o blog responde a dúvidas de pré e pós-operatório, e a página de contato reúne formulário, endereço, WhatsApp e horário.
Outros projetos, de vários segmentos, estão no nosso portfólio de sites profissionais.
O que evitar no site do consultório
Juntando as regras do CFM com o que eu vejo dar errado em projetos de saúde, estes são os erros mais comuns em site para médico:
- Site de uma página só, com foto e telefone, que não responde a nenhuma busca.
- Texto copiado de outro site médico: não diz nada sobre você e não ajuda no Google.
- Domínio registrado no nome da agência ou de um antigo funcionário.
- Promessa de resultado, superlativos e antes e depois sem contexto.
- Seção de depoimentos que elogia resultado em vez de atendimento.
- Formulário que pede sintomas, exames ou diagnóstico.
- Falta de identificação: CRM, RQE e, na clínica, o diretor técnico.
- Foto de banco de imagens no lugar da equipe real.
Quase todos esses erros têm a mesma origem: um site feito como vitrine genérica, sem pensar no paciente nem na regra da profissão.
Quanto custa um site para médico
Na Vale da Web há dois caminhos, e a criação de site para médicos segue a mesma tabela dos outros segmentos. Os dois têm mensalidade de R$ 95, que cobre a hospedagem no Brasil e o suporte para alterações rápidas de até 15 minutos por mês, não cumulativo:
- Site pré-personalizado, a partir de R$ 3.000: uma estrutura pronta, adaptada à identidade do consultório, com os textos escritos por nós. Atende o médico que está começando e precisa de poucas páginas.
- Site personalizado, a partir de R$ 8.000: layout feito do zero, com a redação dos textos incluída. É o caminho para a clínica com várias especialidades, exames ou médicos, que precisa de uma página para cada um.
Os dois podem ser pagos à vista ou parcelados. O domínio fica fora da mensalidade: ele é registrado no seu CPF ou no CNPJ da clínica e pago direto ao Registro.br.
O que mais pesa no orçamento de um site para médico é o número de páginas, e as páginas de exame e procedimento são as que mais valem o investimento. Se quiser comparar com o mercado, detalhei em outro artigo quanto custa um site no Brasil.
Perguntas frequentes sobre site para médico
O médico pode divulgar o valor da consulta no site?
Pode. A Resolução CFM nº 2.336/2023 permite informar o valor das consultas e as formas de pagamento (art. 9º, VI), e também anunciar descontos em campanhas promocionais, sem vincular a venda casada ou premiação (art. 9º, VIII).
Posso mostrar fotos de antes e depois no site?
Com finalidade educativa, sim. As imagens precisam vir num conjunto que mostre evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações, com texto sobre indicações e fatores que influenciam o resultado, sem edição, sem identificar o paciente e com a autorização dele (art. 14).
O site da clínica precisa mostrar o diretor técnico?
Sim. O site de clínica traz o nome do estabelecimento com o registro no CRM e o nome do diretor técnico-médico com o CRM e, quando exigível, o RQE (art. 5º).
O perfil no Doctoralia substitui o site?
Não substitui, complementa. O perfil na plataforma ajuda no agendamento, mas o layout e as regras são dela, e ele não comporta uma página para cada exame ou procedimento. O site próprio fica no seu domínio e reúne tudo num lugar só.
O site de médico pode ter blog?
Pode, e eu recomendo. A resolução trata sites e blogs como canais próprios do médico (art. 8º, § 1º). O conteúdo deve ser educativo, sem consulta ou diagnóstico à distância e sem ensinar ao leigo técnica que deve ficar no ambiente médico.
Site para médico: resumo em 5 pontos
- O site próprio complementa as plataformas e as redes sociais: é o canal em que o médico decide o que o paciente lê.
- Páginas que não podem faltar: inicial, sobre o médico, uma por exame ou procedimento, localização, agendamento, blog e privacidade.
- Nome, CRM com a palavra “médico” e especialidade com RQE ficam na página principal; na clínica, também o diretor técnico.
- A Resolução CFM nº 2.336/2023 permite preço e imagem de paciente com finalidade educativa, inclusive antes e depois, e proíbe prometer resultado e se dizer o melhor.
- No Google, quem aparece é a página feita para o exame ou a especialidade na cidade, ligada ao Perfil da Empresa.
Se você é médico ou administra uma clínica e quer um site completo, com cada página no lugar e pensado para as regras da profissão, solicite um orçamento e conheça a nossa criação de site profissional.